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Jean-Jacques Rousseau

1712–1778

Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra a 28 de junho de 1712, filho de um relojoeiro; a mãe morreu poucos dias depois do seu nascimento. Educado pelo pai com Plutarco e romances, e depois aprendiz de gravador, deixou a cidade aos quinze anos e vagueou durante anos pela Saboia, pelo Piemonte e pela França. Em Annecy e em Chambéry viveu com Madame de Warens, que se tornou sua protetora, e aí, em grande parte autodidata, leu filosofia, história e ciências e estudou música.

Em 1742 foi para Paris com um novo sistema de notação musical. Tornou-se amigo de Diderot, redigiu os artigos sobre música da Enciclopédia e em 1750 ganhou o prémio da Academia de Dijon com o seu Discurso sobre as ciências e as artes, que sustentava que o progresso da civilização tinha corrompido os costumes. A fama veio de imediato. A sua ópera O adivinho da aldeia foi representada perante o rei em 1752, e em 1755 o seu Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens traçou a passagem do estado de natureza para uma sociedade fundada na propriedade e na dominação.

Retirado de Paris, escreveu em Montmorency as obras que fizeram dele o autor mais lido do seu século: a Carta a d’Alembert sobre os espetáculos (1758), o romance Júlia, ou a nova Heloísa (1761) e, em 1762, O contrato social e Emílio, ou Da educação. Os dois livros de 1762 foram condenados em Paris e queimados em Genebra, e Rousseau, ameaçado de prisão, começou anos de fuga: para Yverdon, para Môtiers, no principado de Neuchâtel, para a ilha de Saint-Pierre e para Inglaterra, a convite de David Hume.

De regresso a França a partir de 1767, viveu pobremente em Paris copiando música e escreveu as obras dos seus últimos anos: as Confissões, os diálogos Rousseau, juiz de Jean-Jacques e os Devaneios do caminhante solitário, bem como as Considerações sobre o governo da Polónia. Morreu em Ermenonville, perto de Paris, a 2 de julho de 1778. Em 1794 a República francesa trasladou os seus restos mortais para o Panteão.

Poucos escritores transformaram tantos domínios ao mesmo tempo. O pensamento político de Rousseau inspirou as revoluções da geração seguinte e a ideia moderna de soberania popular; o seu Emílio transformou a reflexão sobre a infância e a educação; as suas Confissões criaram a autobiografia moderna, e o seu sentimento da natureza e da vida interior abriu caminho ao Romantismo. Kant tinha o seu retrato sobre a mesa de trabalho, e Hegel, Marx e muitos outros mediram o seu pensamento pelo dele.

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