Sun Tzu
Sun Tzu — o mestre Sun, cujo nome pessoal era Wu — foi, segundo a tradição, natural do estado de Qi e serviu como general o rei Helü de Wu no final do século VI a. C., a época de Confúcio. O historiador Sima Qian, que escreveu cerca de quatro séculos mais tarde, conta que o rei o pôs à prova pedindo-lhe que instruísse como soldados as mulheres do palácio; quando as duas concubinas favoritas do rei, postas no comando, se riram das suas ordens, Sun Wu mandou executá-las, e as restantes obedeceram sem um ruído. Sob o seu comando, diz-se, Wu derrotou o poderoso estado de Chu e tomou a sua capital.
Pouco mais se sabe com certeza da sua vida, e os estudiosos discutiram longamente quanto do livro escreveu ele próprio e quanto recebeu a sua forma de mãos posteriores no turbulento período dos Reinos Combatentes. Mas os treze capítulos que levam o seu nome já circulavam no século IV a. C.: em 1972 encontrou-se num túmulo da dinastia Han em Yinqueshan, em Shandong, uma cópia escrita em tiras de bambu, muito próxima na redação do texto que hoje lemos.
A arte da guerra é a obra de estratégia mais antiga e influente do mundo. A sua ideia central é que a guerra é uma questão de vida ou de morte para o estado, que só deve ser empreendida depois de um cálculo cuidadoso, e que o feito supremo é submeter o inimigo sem combater. Ensina o conhecimento de si mesmo e do inimigo, o engano, o aproveitamento do terreno e do ímpeto das circunstâncias, e o uso de espiões. Generais, estadistas e pensadores da China, do Japão e da Coreia estudaram-no durante dois mil anos; desde a sua primeira tradução para uma língua europeia, em 1772, tem sido lido em todo o mundo por militares, dirigentes e leitores de toda a espécie.